Na sessão ordinária de 13 de fevereiro, no ponto dedicado às "intervenções de interesse local ou declarações políticas gerais", as várias forças políticas representadas na AMO apresentaram declarações relativamente à tempestade Kristin.
Intervenção de João Catarino, líder municipal do Partido Social Democrata

A nossa declaração política de hoje é, antes de mais, um registo de realidade — e de gratidão.
A tempestade Kristin deixou o concelho de Ourém num estado que, sem exagero, muitos de nós nunca tinham visto. Em poucas horas, a normalidade foi substituída por um cenário avassalador: estradas condicionadas e cortadas, infraestruturas afetadas, equipamentos públicos com danos, habitações atingidas, falhas nas comunicações e, sobretudo, um problema que se tornou o mais penalizador para muitas famílias: a falta de energia elétrica, prolongada até ao dia de hoje, em várias localidades.
Houve pessoas e famílias que passaram dias muito difíceis. E não estamos a falar de um simples incómodo: quando a eletricidade falha, falha muito mais do que a luz — falham rotinas, condições de saúde, conservação de alimentos, aquecimento, informação e tranquilidade.
Mas se a tempestade nos mostrou dificuldades, também mostrou algo maior: a capacidade de resposta e a união do nosso concelho.
E é aqui que queremos deixar um reconhecimento público, claro e firme, a quem esteve na linha da frente — e a quem, muitas vezes, trabalhou sem descanso, sem horários e sem holofotes.
Em primeiro lugar, ao Senhor Presidente da Câmara Municipal e a todo o Executivo Municipal, pela liderança, pela presença constante, pela capacidade de coordenação e pela forma como assumiram, desde a primeira hora, o comando desta resposta — com decisões rápidas, mobilização de meios e acompanhamento próximo das situações mais críticas. Foi um trabalho feito com sentido de missão, com seriedade e com uma disponibilidade que esteve muito para além do exigível.
Às Juntas de Freguesia, pela prontidão, pelo conhecimento do terreno e pela proximidade que, em momentos como este, vale ouro.
Ao Serviço Municipal de Proteção Civil, aos Bombeiros, às forças de segurança, às equipas técnicas e operacionais, e a todos os trabalhadores que estiveram na rua, no frio e na pressão, a garantir o essencial quando o essencial estava em risco: o nosso obrigado.
O que se fez nestes dias não foi apenas “resolver ocorrências”. Foi proteger pessoas, minimizar riscos, garantir apoio às populações e recuperar, passo a passo, a normalidade possível.
E é importante afirmar isto com clareza: o município e as freguesias fizeram a sua parte — e fizeram muito bem. Se houve áreas em que a recuperação foi mais lenta, isso ficou sobretudo ligado à dependência de intervenções externas, nomeadamente na reposição de energia e em alguns pontos críticos de rede, onde os tempos de resposta nem sempre acompanharam a urgência e o sofrimento das pessoas. A verdade é esta: quando uma comunidade já fez tudo o que está ao seu alcance, há limites que só podem ser ultrapassados por quem detém a responsabilidade direta sobre as infraestruturas.
Por isso, o elogio que deixamos hoje não é apenas emocional: é também institucional. É o reconhecimento de que houve liderança local, houve capacidade operacional e houve um concelho inteiro a puxar no mesmo sentido.
A tempestade Kristin vai ficar na memória coletiva de Ourém. Não apenas pelo rasto de destruição — mas pelo que revelou de melhor em nós: a coragem tranquila de quem não desiste, a solidariedade de quem ajuda, e a força de quem, com responsabilidade pública, arregaça as mangas e faz acontecer.
Em nome da bancada do PSD, deixamos duas mensagens finais:
A primeira é de reconhecimento: parabéns ao Senhor Presidente, ao Executivo Municipal, às Juntas de Freguesia e a todas as entidades e pessoas que responderam com humanidade e profissionalismo.
A segunda é de confiança: este momento demonstrou a capacidade de resposta, o espírito de entreajuda e a dedicação das nossas instituições e da nossa comunidade.
É com essa força coletiva que continuaremos a trabalhar por um concelho cada vez mais forte, mais coeso e mais preparado para o futuro.
Muito obrigado.
Intervenção de Paulo Sá - líder municipal do CDS-PP

"Nos últimos dias, o nosso concelho tem atravessado momentos particularmente difíceis, que afetaram diretamente muitas famílias, comunidades e espaços do nosso dia a dia. Fomos atingidos por acontecimentos que deixaram marcas profundas, não só nas infraestruturas que usamos todos os dias, mas também no coração e na tranquilidade de cada família. Em nome de toda a comunidade local de apoio, quero dirigir uma palavra de solidariedade profunda a cada munícipe que vive, neste momento, sentimentos de preocupação, perda ou incerteza.
Sabemos que os danos registados em infraestruturas essenciais, desde vias municipais condicionadas até falhas no abastecimento de água, eletricidade e sistemas de drenagem, têm causado perturbações reais na vida de muitas pessoas. Para muitos, estes danos representam não apenas dificuldades materiais, mas também um impacto emocional significativo.
Quero deixar uma palavra de profundo agradecimento a todos os profissionais e voluntários que, com enorme dedicação, têm estado ao lado da população, porta a porta, rua a rua, oferecendo não apenas soluções práticas, mas também presença, conforto e esperança.
Peço a todos os munícipes que mantenham a serenidade, apoiem os vizinhos que possam necessitar e procurem ajuda sempre que sentirem dificuldade. Nenhuma pessoa deve enfrentar estes momentos sozinha , e não o fará.
A força do nosso concelho tem sido sempre a sua comunidade: solidária, unida e resiliente. Continuaremos a trabalhar, dia após dia, para garantir que cada família recebe o apoio necessário e que a reconstrução será feita com humanidade, cuidado e respeito por todos.
A todos deixo um abraço sentido, uma palavra de coragem e a certeza de que a nossa comunidade é maior do que qualquer adversidade.
Bem haja!"
Intervenção de Nuno Baptista, líder municipal do Partido Socialista

As minhas primeiras palavras são, obviamente, para o povo do Concelho de Ourém, para todos os que sofreram e ainda estão a sofrer com esta imensa calamidade. Que tempos terríveis que vivemos.
Queria deixar também uma palavra de apreço para os nossos autarcas, para o Senhor Presidente de Câmara e para os seus vereadores, para os senhores Presidentes de Junta de Freguesia e as suas equipas, que no meio desta tormenta terão feito o melhor possível, nunca fazemos tudo certo, mas o vosso empenho foi excelente. Obrigado.
Queria também deixar uma referência especial aos funcionários do Município, que se empenharam de uma maneira absolutamente espetacular na ajuda às nossas populações, muitas vezes só com uma palavra de carinho e de presença, para que os nossos concidadãos não se sentissem absolutamente abandonados pelo Estado.
Um agradecimento especial aos bombeiros do nosso concelho, por toda a ajuda, disponibilidade e humanismo. Muito Obrigado
Aqui chegados, deixem-me dizer-vos, sem subtilezas, sem paninhos quentes, que o que se passou, no apoio à população do nosso concelho, por parte do estado central foi uma VERGONHA, repito, uma VERGONHA.
Parafraseando um autarca nosso vizinho, que disse e muito bem “Se isto tivesse acontecido na casa de quem nos governa, a resposta teria sido mais rápida”. Não tenham dúvidas nenhumas que isto é absolutamente verdade. Os governantes que vieram aos nossos territórios, tarde e a más horas, regressavam ao conforto das suas casas de Lisboa e de Cascais, onde tinha a sua eletricidade, água, ar condicionado e garantidamente não lhes chovia em casa. O desespero era dos outros, daqueles lá longe, que nós nem conhecemos e que, possivelmente, não vamos voltar a ver.
Deixo aqui alguns números incríveis:
- ao dia de hoje, quase 20 dias depois da tragedia, existem milhares de habitantes do concelho de Ourem que não tem eletricidade;
- existem milhares de pessoas a quem chove em casa;
- existem centenas de alunos que vão para a escola, depois regressam a casa e não tem eletricidade em casa. Como vão sequer pensar em estudar, por exemplo, que igualdade de direitos é esta?
- existem milhares de oureenses, centenas de empresas, que além dos prejuízos materiais que tiveram, não tem qualquer tipo de comunicação, estão isoladas com o mundo;
- 4 dias depois da passagem da “Kristin”, só havia 240 militares no terreno, em todos os concelhos afetados, que era um dispositivo mínimo que cresceu para 2173 no dia 4 de fevereiro, bastando para isso ter sido ativado o Plano Nacional de Emergência. Porque não foi feito logo no dia seguinte? Se tivesse sido em Lisboa, afetando a “bolha de Lisboa”, a coisa teria sido bem diferente.
- Vejam o ridículo da seguinte situação, no dia seguinte à tragédia, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, só pediu às Forças Armadas, dois destacamentos de Engenharia, ou seja, duas máquinas e oito militares. Bastava o primeiro ministro ter convocado a Comissão Nacional de Proteção Civil e os milhares de militares poderiam ter sido logo requisitados, mas isto foi lá tão longe, tão longe do conforto das casas de Lisboa, das casas de quem manda.
Podia deixar-vos muito mais números que só iam comprovar o imenso abandono a que fomos e estamos a ser votados.
Todo este triste acontecimento terá que nos levar a repensar o modo como funcionamos, como funciona este pequeno país, mas tão distante entre si. É também por tudo isto que cada vez o interior está mais desertificado, porque as pessoas que lá habitam se sentem cada vez mais abandonadas, com menos e piores serviços públicos prestados pelo estado central, com menos e piores serviços de saúde, com menos oportunidades para os seus filhos, que por isso, logo que podem vão também para longe.
Outra evidência curiosa, mas triste, muito triste, que também mostra o pior que temos como povo, é que quando as pessoas da província, os que aqui nasceram e cresceram, começam a ter acesso ao poder central, aos corredores e gabinetes do poder de Lisboa, se tornam ainda mais centralistas do que os que sempre lá viveram. São ainda piores. (Palavras de Isaltino Morais, ele sabe bem do que fala).
Não podemos deixar também de referir a injustificada abordagem das empresas de Serviços a toda esta calamidade. Não podem ser apenas os políticos que devem estar sobre escrutínio, mas também os gestores e outros cargos de todo dentro destas empresas, muitas delas em regime de monopólio. Tem que se repensar estas atuações e assacar responsabilidades, sem medos e sem politicamente correto.
Do outro lado, temos o voluntariado, o querer ajudar a quem está a sofrer, é um sentimento tão nobre do povo português, tão espontâneo, que nos enche a alma nestes momentos tão triste, Este sim é o nosso melhor lado como povo. Obrigado a todos, que muitas vezes vieram de tão longe, de forma desinteressada, para simplesmente ajudar.
“Na política o grau de empatia passa por colocar-se no lugar de quem mais sofre e não deixar para trás aqueles que são os mais desfavorecidos, aqueles que vivem nas aldeias, as populações mais idosas”.
No meio desta imensa tragédia, quero saudar que algo também imensamente importante, absolutamente essencial, a nossa DEMOCRACIA, tenha sido preservada, com a retumbante vitória de António Jose Seguro, que aqui saúdo, como Presidente da República de Portugal.
18 fevereiro 2026
13 fevereiro 2026